Madras Times - "Nós a tínhamos procurado tanto", diz mãe de jovem resgatada após terremoto na Colômbia

"Nós a tínhamos procurado tanto", diz mãe de jovem resgatada após terremoto na Colômbia
"Nós a tínhamos procurado tanto", diz mãe de jovem resgatada após terremoto na Colômbia / foto: David SALAZAR - AFP

"Nós a tínhamos procurado tanto", diz mãe de jovem resgatada após terremoto na Colômbia

Em meio a gritos de alegria e aplausos, Daniela Largo foi resgatada entre os escombros de um hotel no centro de Pereira, enquanto se esgotam as esperanças de encontrar sobreviventes do potente terremoto que devastou essa e outras cidades do oeste da Colômbia.

Tamanho do texto:

A mulher passou mais de 35 horas debaixo dos escombros do prédio, enquanto dezenas de socorristas com cães e voluntários trabalham dia e noite para remover pedaços de muro caídos após o terremoto de magnitude 7,4, registrado na segunda-feira.

Enrolada em uma manta azul e em uma maca, Largo, de 32 anos, foi levada para uma ambulância. Os socorristas se abraçavam e gritavam alegres ao seu redor.

"Estou feliz porque a tínhamos procurado tanto (...) e no momento em que estávamos perdendo as esperanças, recebemos um telefonema" que voltou a acendê-la, disse à AFP sua mãe, Sandra Milena Pérez, de 50 anos.

Um vizinho que participava das buscas "ouviu que estavam pedindo ajuda", alertou os outros socorristas e desde a tarde de terça-feira começaram a retirar os escombros.

Quando a noite caiu, acenderam as lanternas e continuaram a trabalhar incansavelmente apesar da penumbra que envolve esta cidade, que ficou sem eletricidade em quase todos os bairros após o tremor.

"Agradeço de todo o coração porque graças a ele (o vizinho) hoje estamos felizes (...) porque em casa a está esperando um filho" de 12 anos, acrescentou sua mãe, que é dona de casa.

Largo foi levada para um hospital, onde seu estado de saúde é avaliado.

- Buscas e medo -

O resgate não foi fácil. Largo estava debaixo de um dos pisos do prédio que prendia suas pernas. Os socorristas, agachados, tentavam alcançá-la.

"Daniela, feche os olhos!", gritavam os socorristas, protegidos com capacetes e coletes refletores enquanto tentavam tirá-la.

A mãe viveu momentos de "muita angústia", relatou, emocionada. Mas "com paciência, esperando", foi recompensada.

Pela manhã, a AFP registrou Pérez em um cartaz de "procura-se" com a foto de sua filha, enquanto percorria os arredores.

Pereira foi uma das cidades mais afetadas pelo terremoto, que deixou centenas de feridos.

Na terça-feira, as autoridades revisaram para baixo o número de mortos, para um total de 216, depois que o governo do Vale do Cauca e a Prefeitura de Cali corrigiram os números anteriores.

Os socorristas continuam as buscas na montanha de escombros de onde Largo foi retirada.

"Se alguém me ouve, grite ou faça um barulho", clamava um deles, pedindo "silêncio" aos demais.

Em uma área vizinha, Viviana Loaiza estava inconsolável.

Ela vai completar dois dias procurando seu irmão, Pablo, uma pessoa sem teto de 29 anos, sob os escombros de um prédio que tinha uma padaria no térreo e apartamentos nos outros andares.

"Vemos que tiram e tiram e não conseguem encontrar nada", diz, aos prantos, esta mulher de 39 anos, que trabalha vendendo café nas ruas.

Ela estava com o irmão comprando pão quando o terremoto começou. Ela saiu e "ele foi correndo para dentro da padaria", quando tudo veio abaixo.

A mulher passa as noites em um parque juntamente com a filha e uma tia porque sua casa também colapsou.

Y.Raman--MT