Madras Times - Meta enfrenta novo julgamento na Califórnia por efeito viciante de redes sociais

Meta enfrenta novo julgamento na Califórnia por efeito viciante de redes sociais
Meta enfrenta novo julgamento na Califórnia por efeito viciante de redes sociais / foto: SEBASTIEN BOZON - AFP/Arquivos

Meta enfrenta novo julgamento na Califórnia por efeito viciante de redes sociais

Condenada duas vezes neste ano pelos efeitos de suas plataformas sobre os jovens, a Meta agora terá que enfrentar quatro estados americanos que acusam a empresa de ter criado Instagram e Facebook com o objetivo de torná-los viciantes.

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O julgamento, um dos mais importantes entre os inúmeros processos contra as redes sociais nos Estados Unidos, começará na quarta-feira (12), com a seleção do júri em um tribunal federal de Oakland, perto de São Francisco.

O julgamento propriamente dito começará apenas em 18 de agosto, com cerca de seis semanas de audiências e um veredicto previsto para o início de outubro.

Os procuradores-gerais de Califórnia, Colorado, Kentucky e Nova Jersey pedem uma longa lista de restrições ao funcionamento do Instagram e do Facebook para menores de idade, além de multas que podem chegar a 1,4 trilhão de dólares (R$ 7,1 trilhões), valor equivalente à capitalização de mercado da Meta.

Mark Zuckerberg está entre as principais testemunhas que a acusação pretende interrogar até o fim de setembro.

Esta seria a segunda vez em seis meses que o diretor-executivo da Meta prestaria depoimento, após comparecer a um tribunal de Los Angeles, onde o júri considerou seu testemunho pouco convincente.

- "Arquivos do Facebook" -

O julgamento de Oakland, o primeiro em um tribunal federal, é resultado de uma batalha judicial iniciada no fim de 2021, quando a ex-funcionária da Meta Frances Haugen vazou milhares de páginas de pesquisas internas - os "Arquivos do Facebook" - que mostravam que a empresa avaliava os danos causados pelo Instagram à saúde mental dos adolescentes enquanto defendia publicamente que a plataforma não era prejudicial.

As revelações desencadearam uma investigação conjunta de dezenas de estados que, dois anos depois, resultou em uma ação apresentada por cerca de 30 procuradores-gerais.

Quatro estados foram escolhidos para levar o caso a julgamento em Oakland. Uma derrota da Meta poderia levar a um acordo com os estados envolvidos semelhante ao firmado no passado pela indústria do tabaco.

TikTok, Snapchat e YouTube, do Google, são alvo de outras ações apresentadas por milhares de famílias, escolas e procuradores nos Estados Unidos.

Em março, em uma decisão histórica, um júri de Los Angeles considerou Meta e YouTube responsáveis pela dependência de uma adolescente da Califórnia e concedeu à jovem uma indenização de 6 milhões de dólares (R$ 30,5 milhões).

Posteriormente, no Novo México, a Meta foi condenada a pagar quase 1 bilhão de dólares (R$ 5,1 bilhões) em multas e indenizações, além de cumprir restrições sem precedentes para contas de menores de idade no estado.

A empresa anunciou que recorrerá das duas decisões.

A Meta afirmou ter "confiança" em seu histórico de "proteção dos adolescentes no ambiente on-line".

A empresa controladora do Instagram e do Facebook argumentará que a saúde mental dos jovens "não pode ser atribuída a um único aplicativo" e que algumas das funcionalidades questionadas são protegidas pelas garantias de liberdade de expressão da Constituição americana.

Em maio, Snapchat, TikTok, YouTube e Meta optaram por pagar 27 milhões de dólares (R$ 137,4 milhões) a um distrito escolar de Kentucky para evitar outro julgamento que poderia abrir precedente para ações semelhantes de cerca de 1.200 comunidades escolares.

- Imunidade sobre os conteúdos -

Os quatro estados acusam a Meta de violar suas leis de proteção ao consumidor e a Lei Federal de Proteção da Privacidade Infantil (COPPA) ao multiplicar funcionalidades destinadas a manter os menores de idade engajados - como rolagem infinita, notificações intrusivas ou noturnas e alertas de "curtidas" - enquanto minimiza publicamente os riscos.

Essa estratégia contorna a imunidade concedida às plataformas nos Estados Unidos em relação ao conteúdo gerado pelos usuários: o alvo da ação é o design dos aplicativos, e não o conteúdo publicado neles.

O valor de 1,4 trilhão de dólares (R$ 7,1 trilhões) reivindicado resulta de um cálculo segundo o qual cada menor afetado representaria uma infração independente, sujeita a multas de vários milhares de dólares, de acordo com a acusação.

O júri terá apenas função consultiva. A juíza Yvonne Gonzalez Rogers, que já presidiu o julgamento entre Apple e Epic Games e a batalha judicial entre Elon Musk e os criadores do ChatGPT no primeiro semestre deste ano, determinará as sanções e medidas corretivas.

No tribunal, pais de adolescentes afetados pelas redes sociais poderão voltar a prestar depoimento, como ocorreu em Los Angeles, enquanto o restante do país poderá acompanhar o processo ao vivo pelo YouTube.

M.Chandra--MT