Madras Times - Dinamarca diz que ambição dos EUA de tomar Groenlândia 'segue intacta'

Dinamarca diz que ambição dos EUA de tomar Groenlândia 'segue intacta'
Dinamarca diz que ambição dos EUA de tomar Groenlândia 'segue intacta' / foto: Alessandro RAMPAZZO - AFP

Dinamarca diz que ambição dos EUA de tomar Groenlândia 'segue intacta'

A primeira-ministra da Dinamarca advertiu, nesta quinta-feira (15), que "segue intacta" a ambição americana de tomar a Groenlândia, um território autônomo dinamarquês no Ártico onde está previsto o início de uma missão militar europeia.

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O presidente americano, Donald Trump, ameaçou anexar a ilha, alegando que ela é vital para a segurança de seu país, sob o argumento de que, caso contrário, seria ocupada pela Rússia ou pela China. A Casa Branca afirmou que analisa comprá-la, sem descartar uma intervenção militar nesse território rico em recursos minerais.

Na quarta-feira, os ministros das Relações Exteriores da Dinamarca e da Groenlândia se reuniram em Washington com o vice-presidente americano, JD Vance, e o secretário de Estado, Marco Rubio.

A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, afirmou em comunicado nesta quinta-feira que está sendo formado "um grupo de trabalho" para tratar de como a segurança no Ártico poderia ser aprimorada.

Mas "isso não muda o fato de que existe um desacordo fundamental, porque a ambição americana de assumir o controle da Groenlândia segue intacta", disse em nota enviada à AFP.

"É obviamente um assunto grave, e seguimos com nossos esforços para impedir que esse cenário se concretize", acrescentou Frederiksen.

A Dinamarca enviou reforços militares ao território autônomo e conseguiu que vários países europeus instalassem ali uma missão de reconhecimento de suas forças armadas.

França, Suécia, Alemanha e Noruega anunciaram que vão deslocar pessoal militar para essa operação de reconhecimento, inserida no exercício dinamarquês "Arctic Endurance".

"As primeiras unidades militares francesas já estão a caminho. Outras virão em seguida", afirmou o presidente francês, Emmanuel Macron, na rede social X.

- "Explorar opções" -

Segundo a Alemanha, essa "exploração" ocorrerá de quinta-feira a sábado.

Trump fala em anexar a Groenlândia desde que voltou ao poder há um ano. Mas elevou o tom após o ataque americano na Venezuela, com o qual depôs o presidente Nicolás Maduro.

Para tentar apaziguar Washington, Copenhague prometeu "reforçar sua presença militar" na Groenlândia a partir de quarta-feira e dialogar com a Otan, da qual faz parte, para ampliar a presença aliada no Ártico.

Além disso, reitera ter investido quase 14 bilhões de dólares (R$ 75,2 bilhões) na segurança do Ártico, embora Trump tenha ironizado a iniciativa: "Digam à Dinamarca que saiam daí, JÁ! Dois trenós de cães não bastam!".

Enquanto as conversas de quarta-feira aconteciam, a Casa Branca publicou na rede X um desenho com dois trenós puxados por cães: um seguia em direção à Casa Branca e a uma enorme bandeira americana, e o outro às bandeiras chinesa e russa sobre o Kremlin e a Grande Muralha, atingidos por raios.

Antes do encontro em Washington, porém, bandeiras vermelhas e brancas da Groenlândia se multiplicavam na capital do território, Nuuk. Elas decoravam vitrines de lojas, janelas de casas, carros e ônibus, e apareciam até no cabo de um guindaste, segundo um jornalista da AFP presente no local.

"É muito assustador, porque é algo enorme", comentou sobre os planos de Trump a professora Vera Stidsen, de 51 anos, ao sair de um supermercado.

A incorporação dos 2,16 milhões de km² da Groenlândia faria os Estados Unidos superarem China e Canadá e se tornarem o segundo maior país do mundo em extensão territorial, atrás apenas da Rússia.

X.Kapoor--MT