Madras Times - Extorsão no Peru 'não vai terminar com este governo', alerta procurador

Extorsão no Peru 'não vai terminar com este governo', alerta procurador
Extorsão no Peru 'não vai terminar com este governo', alerta procurador / foto: Ernesto BENAVIDES - AFP

Extorsão no Peru 'não vai terminar com este governo', alerta procurador

A extorsão no Peru "não vai terminar" com o governo do presidente José Jerí, apesar de sua estratégia publicitária amplamente compartilhada para combatê-la, disse o chefe das Procuradorias Especializadas contra o Crime Organizado em uma entrevista à AFP.

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No poder desde outubro após a destituição de Dina Boluarte, que caiu justamente por esta questão, o ex-presidente do Parlamento tenta retomar o controle da situação em um país marcado por uma profunda desconfiança em relação às instituições.

Porém, a extorsão, que se sustenta na ameaça de assassinatos por encomenda, não pode ser enfrentada "sem reforçar o sistema judicial, a polícia, a inteligência, o Ministério Público e o Poder Judiciário", alerta o procurador Jorge Chávez em seu escritório no centro de Lima.

"Se não forem fortalecidas, você pode aprovar 5 mil leis e nada vai mudar", afirma.

Ao contrário de sua antecessora, Jerí iniciou sua gestão liderando operações policiais de captura de criminosos e traslado de presos uniformizados de branco, agachados e algemados nas mãos e nos pés.

A imagem foi imediatamente associada às políticas de segurança do presidente salvadorenho Nayib Bukele.

Jerí declarou estado de exceção na capital e o porto vizinho de Callao, o que permitiu o envio de militares às ruas.

"O inimigo principal nas ruas são as gangues criminosas (...) devemos declarar guerra a elas", disse ao assumir o cargo.

- Desinteresse -

Durante muito tempo, percebido como relativamente a salvo do crime organizado em comparação aos seus vizinhos, o Peru enfrenta, agora, dinâmicas similares às de países como Equador.

Em dois anos, o número de denúncias por extorsão se multiplicou por mais de dez anos, passando de 2.396 para mais de 25 mil em 2025.

O fenômeno "aumentou de maneira exponencial devido ao desinteresse dos governos anteriores (...) que acreditaram tratar-se de crimes cíclicos", estima Chávez, de 62 anos, na linha de frente no combate ao crime organizado.

Jerí é o sétimo presidente peruano desde 2016, uma instabilidade crônica que, segundo o procurador, tem impedido qualquer política de longo prazo.

Durante anos, "não houve liderança, nem estratégia, nem orçamento", insiste.

Jerí exercerá suas funções até julho. A lei o proíbe de se candidatar na eleição geral de abril.

Em 2025, mais de 60 organizações criminosas foram desmanteladas e foram proferidas mais de 400 condenações, resultados que o procurador considera insuficientes diante da magnitude do fenômeno.

- "Instrumento de terror" -

O setor do transporte é o mais afetado: em 2025, mais de 50 motoristas foram assassinados, segundo Anitra, principal sindicato do setor.

No começo de 2026, pistoleiros mataram um condutor, o que gerou uma greve de protesto na quarta-feira (14).

Outros setores também são afetados, como comerciantes, escolas e orquestras de cumbia, um dos gêneros musicais mais populares do país.

A extorsão não é um fenômeno recente, indicou o procurador. "Não começou hoje, nem com a pandemia e muito menos com a chegada dos venezuelanos", disse, em referência ao fluxo de migrantes que fogem da crise em seu país.

"Teremos nossos próprios extorsionários", explica, lembrando que o fenômeno começou a emergir em 2010 no norte do Peru, em Chiclayo e Trujillo.

Mas naquela época não tinha o grau de violência de hoje. Entre as causas, segundo o procurador, está a chegada, após a pandemia, de gangues estrangeiras como a organização Tren de Aragua.

"Antes, bastava ameaçar. Hoje, te matam, te queimam (...), a extorsão virou um instrumento de terror", resume Chávez.

J.Khan--MT