Arquiteto chinês Ma Yansong harmoniza natureza com 'sensação futurista'
À distância, a obra de Ma Yansong parece uma enorme nave espacial que pousou nas ruas ladeadas por palmeiras do centro de Los Angeles.
Mas também poderia ser uma nuvem baixa ou uma árvore de copa ampla.
Para o arquiteto chinês, o que importa é que o edifício "provoque curiosidade".
Nas últimas duas décadas, Ma criou dezenas de projetos visualmente impactantes na China e no exterior, harmonizando a natureza com designs modernos.
Seu estilo tem ares de ficção científica, o que combina perfeitamente com seu projeto mais recente, o Museu Lucas de Arte Narrativa, em Los Angeles, fundado pelo criador de Guerra nas Estrelas, George Lucas, e sua esposa Mellody Hobson.
"O edifício cria uma sensação futurista que desperta entusiasmo", comentou Ma à AFP na sede da MAD Architects, em Pequim, a empresa que fundou em 2004.
"Quando as pessoas visitarem o Museu Lucas, cada um virá com sua própria perspectiva", destacou o arquiteto de 50 anos, incluído no ano passado na lista das 100 pessoas mais influentes da revista Time.
"Talvez captem um raio de luz que atravessa o edifício, vislumbrem as nuvens, o céu ou até mesmo o cosmos. Isso desperta a curiosidade e as novas ideias. Essa diversidade de pensamento é inestimável", expressou.
- Montanhas e água -
Originário de Pequim, Ma cresceu em uma casa com pátio interno típica dos "hutongs", os becos que atravessam as vielas históricas da capital.
Depois seguiu para estudar arquitetura, formou-se na americana Yale School of Architecture, e trabalhou brevemente no estúdio da aclamada designer britânico-iraquiana Zaha Hadid.
Ma e sua empresa conceberam obras emblemáticas em toda a China, como a ópera de Harbin, uma estrutura ondulante situada às margens do gelado rio Songhua.
Também criou duas torres residenciais que se contorcem perto de Toronto, e um museu sobre as migrações em Roterdã, nos Países Baixos.
Sua visão arquitetônica se inspira na pintura tradicional chinesa, conhecida como "shanshui", ou "montanhas e água", representadas nas paisagens naturais.
O Museu Lucas se integra ao seu entorno externo por meio do gramado, das árvores, da água e de uma cobertura vegetal no telhado com painéis solares.
"Se você olha para um jardim chinês, é um ambiente completamente natural, embora tenha sido criado de forma artificial", comentou Ma.
"Há um debate mundial sobre a ecologia e sobre como aproximar as pessoas da natureza, mas considero que a arquitetura tradicional oriental já dominava isso há muito tempo", afirmou.
- "Donos da cidade" -
Ma adere ao que ele qualifica como uma "virada importante" da arquitetura, que coloca as pessoas, e não os edifícios, no centro da criação.
"Não usamos a arquitetura para ostentar riqueza ou poder", afirmou.
Embora muitos clientes do MAD possuam recursos financeiros consideráveis, Ma garante que seu objetivo não é apenas impressionar, mas também criar "espaços únicos para que as pessoas os aproveitem".
O escritório do MAD está localizado no coração do bairro de hutongs de Pequim, perto de onde Ma estudou na juventude.
"Eu gosto dessas ruas pequenas com suas árvores, das pessoas que passam caminhando e dessa certa atmosfera da vida cotidiana", expressou.
Ao projetar um empreendimento, Ma diz querer garantir que ele ofereça "liberdade de movimento" aos moradores, um conceito que impulsionou seu projeto do conjunto habitacional social Baiziwan, em Pequim, voltado para comunidades de baixa renda.
Ao contrário dos blocos de apartamentos que proliferam nas cidades chinesas durante décadas de rápida urbanização, Baiziwan apresenta um traçado aberto, com um jardim elevado e um projeto que aproveita a luz solar.
Segundo Ma, seus projetos não são "uma estrutura como um palácio ou um templo para ser reverenciada".
"Eu quero que seja aberto, um lugar onde todos se sintam como os donos da cidade".
V.Subramanian--MT