Houthis do Iêmen relatam ataques de Riade, que os acusa de atacar Meca
Os houthis do Iêmen relataram novos ataques aéreos sauditas nesta quarta-feira (16), enquanto Riade acusou o grupo pró-Irã de lançar um ataque "covarde" com um drone contra Meca, cidade sagrada do Islã.
Os houthis classificaram como "mentira" o comunicado divulgado por Riade no início da manhã, no qual afirmava ter derrubado um drone que seguia em direção a Meca, acusação que provocou indignação em todo o mundo muçulmano.
Depois de anos de calma em sua guerra civil, o Iêmen foi arrastado em julho para o conflito no Oriente Médio, desencadeado no fim de fevereiro por uma ofensiva dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã.
Os houthis, que desde 2014 enfrentam o governo reconhecido pela comunidade internacional e apoiado pela Arábia Saudita, tomaram na semana passada o controle da costa iemenita próxima ao Mar Vermelho, reforçando seu domínio sobre o estratégico Estreito de Bab el-Mandeb.
Isso coloca em xeque as exportações de petróleo da Arábia Saudita, maior exportador mundial, em um momento em que o petróleo é negociado acima dos 100 dólares por barril, uma escalada que ameaça a economia mundial.
- "Uma linha vermelha" -
A defesa aérea saudita afirmou ter destruído na terça-feira "um drone hostil lançado pela milícia terrorista houthi antes que ingressasse no espaço aéreo restrito da capital sagrada" do islã.
"A segurança das duas mesquitas sagradas e de seus visitantes constitui uma linha vermelha", advertiu a coalizão liderada pela Arábia Saudita, que respalda o governo iemenita.
O Ministério das Relações Exteriores da Arábia Saudita denunciou um "ataque terrorista covarde".
"Vi algumas pessoas que entraram em pânico e correram até a janela para ver o que tinha acontecido", declarou à AFP um morador de Meca que pediu para não ser identificado. "Acho que o sistema de alarme criou o pânico. A vida segue normalmente em Meca, já houve outros incidentes na cidade, este não é o primeiro", acrescentou.
A Organização para a Cooperação Islâmica (OCI) condenou os ataques que "profanam a santidade dos lugares sagrados e das mesquitas, e ferem os sentimentos dos muçulmanos de todo o mundo".
O secretário-geral da Liga Árabe, Nabil Fahmy, afirmou, por sua vez, que "atentar contra a segurança de Meca e contra o caráter sagrado dos lugares santos do islã constitui um fato de extrema gravidade".
Hazem al-Assad, membro do comitê político dos houthis, minimizou a acusação, que classificou como "uma mentira batida" já utilizada anteriormente e que "já não engana ninguém".
- "Estava tudo devastado" -
Os confrontos deixaram centenas de mortos e pelo menos 100.000 deslocados, segundo dados do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur).
Ali, de 40 anos, fugiu de sua casa na cidade costeira iemenita de Dhubab em meio ao temor pelos combates e pelas explosões. "Havia tiros por toda parte, estávamos completamente indefesos, sem comida nem água", relatou o homem, que fugiu de barco até Djibuti, no Chifre da África.
"Estava tudo devastado. Não tivemos outra opção a não ser fugir", contou.
A alta do petróleo nos últimos dias foi contida por notícias animadoras sobre a oferta. Um corredor de navegação segura garantido pelos Estados Unidos no Estreito de Ormuz permitiu um aumento significativo das exportações de petróleo do Golfo, mostrou uma análise da AFP.
"Havia tiros por todos os lados, estávamos completamente indefesos, sem comida nem água", relatou o homem, que não teve outra opção a não ser fugir de barco pelo mar em uma viagem de um dia até Djibuti, no Chifre da África.
"Os aviões voavam sobre nós. Tudo estava devastado. Não tivemos outra opção a não ser fugir", afirmou.
- Combates perto da fronteira com a Arábia Saudita -
A ofensiva relâmpago dos houthis, que conseguiram tomar o controle de todo o território iemenita sobre o mar Vermelho e do Estreito de Bab el-Mandeb, complica as exportações de petróleo do Golfo.
Os houthis, no entanto, afirmam que não existe nenhuma ameaça à navegação no estreito, exceto para os navios sauditas.
Enquanto aumenta a pressão sobre a Arábia Saudita, os houthis anunciaram, nesta quarta-feira, que derrubaram um avião de combate do país.
Também anunciaram que atacaram uma instalação petrolífera e uma base militar na Arábia Saudita com mísseis e drones.
O porta-voz militar dos houthis, Yahya Saree, relatou na noite desta quarta-feira 40 ataques sauditas em 24 horas nas províncias de Taiz, Marib e Hodeida.
Além disso, os houthis enfrentam forças governamentais iemenitas na província de Al-Jawf, no norte.
Imagens da AFP mostram soldados em veículos blindados avançando pelo deserto ao som de metralhadoras.
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D.Kumar--MT