Festival de Veneza começa com homenagem a George Clooney
O Festival de Cinema de Veneza começa nesta quarta-feira (2) com uma homenagem à carreira de George Clooney, em uma edição que também terá entre seus destaques os espanhóis Javier Bardem e Penélope Cruz.
Clooney, presença frequente no Lido e dono de uma carreira multifacetada, receberá durante a cerimônia de abertura um Leão de Ouro honorário das mãos da também atriz americana Laura Dern.
O ator de 65 anos, com seu olhar sedutor e os característicos cabelos grisalhos, é uma das estrelas mais aguardadas desta 83ª edição, marcada pela ausência dos grandes estúdios de Hollywood.
Outros nomes conhecidos do cinema que passarão pelo tapete vermelho são Robert Pattinson, que interpreta um jornalista sem escrúpulos em "Primetime"; John Malkovich, protagonista de "Wild Horse Nine", história ambientada na Ilha de Páscoa; e Rooney e Kate Mara, que vivem duas irmãs que falam em uníssono em "Bucking Fastard".
Também na disputa pelo Leão de Ouro, "Bunker" levará ao Lido o casal Javier Bardem e Penélope Cruz. No filme do francês Florian Zeller, diretor de "Meu Pai", os dois interpretam um casal em crise após 17 anos juntos. Na vida real, Bardem e Cruz se casaram em 2010.
- Muita política, poucas diretoras -
Ao todo, 21 filmes concorrem ao principal prêmio, que será entregue em 12 de setembro pelo júri presidido pela atriz Maggie Gyllenhaal.
Entre as produções fora de competição estão o documentário "Oasis: Don't Look Back in Anger", sobre o retorno aos palcos da famosa banda britânica; "Father Joe", com Kiefer Sutherland e Al Pacino; e "Flesh Impact", curta-metragem da própria Gyllenhaal no qual Dakota Johnson interpreta Marilyn Monroe.
A situação geopolítica provavelmente voltará a ocupar um lugar de destaque na Mostra, o festival de cinema mais antigo do mundo.
O documentário "NAZA", que disputa o Leão de Ouro e é codirigido pelo jornalista investigativo Yuval Abraham e pela cineasta Rachel Szor — dois dos quatro autores do vencedor do Oscar "Sem Chão" ("No Other Land", 2024) — aborda "os sistemas por trás dos massacres calculados de civis palestinos em Gaza por Israel", segundo o site do festival.
Outros filmes sobre o conflito israelense-palestino são "The Road to Jericho", de Amos Gitai, e "Citizen Osama".
Para Alberto Barbera, diretor artístico da Mostra, é essencial que o cinema aborde o que está acontecendo em Gaza e no Oriente Médio.
"Há quatro filmes que abordam a questão palestina e a situação atual no Irã, portanto não pode haver nenhuma dúvida sobre qual é a nossa posição a esse respeito", disse Barbera à AFP nesta terça-feira.
No ano passado, "A Voz de Hind Rajab", sobre uma menina palestina morta pelas forças israelenses enquanto fugia da Cidade de Gaza, comoveu o festival.
A cineasta israelense Rachel Szor é uma das apenas duas mulheres na direção de filmes selecionados para a competição neste ano. A outra é a dinamarquesa Kvinde Ukendt, que participa com o drama histórico ""Woman unknown".
Criticado pela baixa presença de diretoras, Barbera argumentou há alguns dias que menos de 25% dos filmes apresentados ao comitê de seleção foram dirigidos por mulheres e que "a qualidade dos que vimos não era suficiente para que pudéssemos incluí-los na competição".
- Documentário sobre Borges -
O cinema latino-americano também terá representantes em Veneza.
O ítalo-chileno Marco Bechis, diretor de "Garage Olimpo", disputa o Leão de Ouro com "Regreso a Buenos Aires", sobre um sobrevivente da ditadura argentina que retorna ao país para ser testemunha em um julgamento.
Na mostra Spotlight, Gael García Bernal apresenta seu novo filme como diretor, "Hombre al Agua", no qual também atua ao lado de Ricky Martin.
O cineasta argentino Mariano Llinás apresenta um projeto ambicioso: "Biografía de Jorge Luis Borges", documentário de mais de cinco horas sobre o célebre escritor argentino.
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Z.Chakraborty--MT