Credenciais de nova porta-voz da Casa Branca despertam dúvidas
A Casa Branca enfrentou, nesta quarta-feira (14), perguntas cada vez mais incisivas sobre as credenciais legais da nova secretária de imprensa, Katie Zacharia, após suas respostas vacilantes aos repórteres.
Uma organização não governamental apresentou uma denúncia à Ordem dos Advogados do Estado da Califórnia para que investigue se a porta-voz do presidente Donald Trump — o rosto público da administração — violou a lei ao se apresentar repetidamente como uma advogada sem licença.
A organização de esquerda Campaign for Accountability afirma que Zacharia se descreveu como advogada em aparições na televisão e se apresentou como consultora jurídica geral de uma organização sem fins lucrativos conservadora sediada na Califórnia.
"Zacharia se apresentou como advogada repetidas vezes para reforçar sua reputação e credibilidade", disse a diretora do grupo, Michelle Kuppersmith.
"A Ordem dos Advogados precisa investigar se Zacharia enganou o público a respeito de suas credenciais", acrescentou.
Trump descreveu Zacharia como "advogada" ao anunciar sua nomeação na última sexta-feira, mas vários jornalistas não encontraram nenhum registro de que ela tenha licença para exercer a profissão em qualquer estado americano.
A Ordem dos Advogados da Califórnia confirmou à imprensa americana que não tinha registro de que Zacharia possuísse licença, seja com seu sobrenome de casada, seja com seu sobrenome de solteira.
Zacharia, de 41 anos, formou-se na faculdade de direito da Universidade Pepperdine em 2011, mas obter um diploma em direito não qualifica automaticamente alguém para atuar como advogado.
Quando repórteres lhe perguntaram na terça-feira onde havia sido aprovada no exame da Ordem, Zacharia respondeu: "Quando me mudei para a China".
Estrangeiros não podem prestar o exame da Ordem na China, embora possam realizar determinados trabalhos jurídicos em escritórios chineses. Zacharia trabalhou para um escritório de advocacia em Pequim, segundo seu perfil profissional.
"Exerci a advocacia em operações internacionais, com todas as credenciais pertinentes", declarou à Newsweek, sem esclarecer se tinha licença para atuar como advogada nos Estados Unidos.
A controvérsia surgiu após uma primeira aparição atribulada como secretária de imprensa da Casa Branca, na terça-feira, quando Zacharia leu longamente anotações preparadas durante uma coletiva que durou apenas 14 minutos.
Zacharia sucedeu Karoline Leavitt, que renunciou em agosto após se tornar uma das porta-vozes mais proeminentes do segundo governo Trump.
Z.Bhatia--MT