Xi Jinping insta presidente egípcio a se opor à 'interferência externa' no Oriente Médio
O presidente chinês, Xi Jinping, disse ao seu par egípcio, Abdel Fatah al Sisi, nesta quarta-feira (2), que ele deve ser contra a "interferência externa" no Oriente Médio e afirmou durante sua visita ao Cairo que Pequim está disposto a trabalhar para garantir o transporte marítimo ameaçado pela guerra no Irã.
Xi visita o Egito pela primeira vez depois de uma década e foi recebido por Sisi com uma salva de 21 tiros de canhões no opulento palácio presidencial de Ittihadiya.
Pequim busca consolidar sua presença na região, no contexto da guerra entre Estados Unidos e Irã, que começou em fevereiro.
"Devemos defender o princípio de que os povos do Oriente Médio são donos de seus próprios assuntos, nos opor à interferência externa e apoiar os países da região no fortalecimento do diálogo sobre a paz e a segurança", disse Xi ao mandatário egípcio durante a reunião entre ambos, informou a agência de notícias Xinhua.
A China está "disposta a trabalhar com os países da região para salvaguardar a segurança das rotas marítimas internacionais, impulsionar a cooperação para o desenvolvimento e eliminar os focos que alimentam os conflitos", afirmou o mandatário chinês.
A referência de Xi à segurança do transporte marítimo ocorre em um contexto de preocupação com a oferta mundial de petróleo devido ao conflito que afeta o fluxo no estreito de Ormuz.
No âmbito de sua política de pressão econômica, os Estados Unidos prometeram em agosto isolar economicamente o Irã e ameaçaram ampliar as sanções a seus parceiros. A China, como importante compradora de petróleo iraniano, prometeu que defenderá seus interesses.
Durante o encontro no Cairo, os mandatários respaldaram a busca por "soluções diplomáticas" para alcançar um "acordo global que ponha fim à guerra" no Oriente Médio, segundo um comunicado do porta-voz de Sisi.
A Presidência egípcia indicou que ambos os países, membros do Brics, assinaram um acordo para colocar em prática a terceira fase da zona industrial egípcio-chinesa, que, segundo as autoridades, já conta com 200 empresas e investimentos no valor de cerca de 4 bilhões de dólares (20,6 bilhões de reais, na cotação atual).
Estes novos investimentos, cujo valor não foi confirmado pelo Egito, dão a Pequim uma influência ainda maior na região do Canal de Suez, rota fundamental para o comércio mundial, no momento em que a guerra bloqueia o tráfego por outras vias da região, como Ormuz e o Estreito de Bab al-Mandeb.
A China é um dos principais exportadores para o Egito, com um superávit comercial de 12 bilhões de dólares (62 bilhões de reais) nos primeiros sete meses de 2026, segundo dados da alfândega chinesa.
Xi, que colocou a China perto de países do Oriente Médio próximos aos Estados Unidos, tem uma visita a Washington prevista para setembro, para se reunir com o presidente americano, Donald Trump.
E.Bansal--MT