Suécia enfrenta incerteza política após eleições acirradas
Com um resultado apertado nas eleições legislativas de domingo na Suécia, nas quais o bloco de esquerda conquistou 176 cadeiras, três a mais que o bloco de direita, o país deve iniciar uma etapa de negociações difíceis a partir desta segunda-feira (14) para a formação do governo.
Magdalena Andersson, líder dos social-democratas, vai governar o país nórdico assim que a apuração terminar oficialmente? No momento, ela parece a pessoa mais bem posicionada para a tarefa. Mas seu rival, o atual primeiro-ministro Ulf Kristersson, conservador, parece determinado a permanecer no cargo.
Diante do cenário incerto, poucos se atreviam a falar sobre o resultado final nesta segunda-feira.
"A situação está realmente tensa", disse Mikko Duvaldt, um operário entrevistado pela AFP em uma estação de Estocolmo. "Será difícil para os dois lados formarem governo", acrescentou o sueco de 48 anos. "Tudo isso me deixa estressada", comentou Pernilla Karlsson, de 53 anos.
As eleições também apresentaram uma surpresa para o partido de extrema direita Democratas da Suécia (SD), que perdeu terreno pela primeira vez desde que entrou no Parlamento há 16 anos, ao contrário do que aconteceu nas votações recentes para este tipo de legenda no restante da Europa.
- Negociações difíceis -
No momento, a esquerda está na liderança. "E se isso for confirmado, então a Suécia terá um novo governo", declarou a líder social-democrata Magdalena Andersson a seus simpatizantes no domingo em Estocolmo.
Mas o resultado será conhecido apenas na quarta-feira (16), com o fim da apuração dos votos emitidos no exterior e dos votos antecipados.
Mas as negociações devem começar já nesta segunda-feira, um processo complicado, ainda mais quando a direita e a extrema direita se negam, no momento, a reconhecer qualquer derrota.
Uma aliança progressista também não parece simples: dois integrantes da potencial coalizão, o partido de esquerda e o partido de centro, já estabeleceram suas condições. O primeiro afirmou que só apoiará a formação de um Executivo se fizer parte dele; enquanto o segundo insiste que não participará de nenhum governo que tenha integrantes do partido de esquerda.
Os dois partidos "têm suas linhas vermelhas, mas isso também dependerá das questões de fundo e do que conseguirem", observou a cientista política Annika Fredén, da Universidade de Lund. "Com base nestas conquistas, veremos se abandonam as linhas vermelhas e quando", destacou.
O primeiro-ministro Ulf Kristersson tentará ampliar sua base ao buscar apoios no centro.
Mas isso também será um exercício delicado porque, antes das eleições, a direita havia garantido alguns ministérios à extrema direita, algo inaceitável para os centristas.
Com esse panorama, o diálogo será inevitável. "Na Suécia, temos uma cultura de negociação e há uma forte resistência a organizar novas eleições", indicou Fredén.
- Retrocesso da extrema direita -
E o que aconteceu com a extrema direita, que teria perdido três pontos em quatro anos? Vários analistas atribuíram o retrocesso ao endurecimento das políticas de migração e criminalidade.
"A questão migratória era mais importante em 2015/2016, agora há muitos partidos que defendem políticas rígidas, e os Democratas da Suécia não conseguiram se consolidar em outros temas", disse Fredén.
Com quase 95% dos votos apurados, a extrema direita ficou em terceiro lugar, atrás dos social-democratas e do Partido Moderado de Kristersson.
"Ainda não temos os resultados finais, mas é evidente que perdemos alguns pontos percentuais em comparação com quatro anos atrás", admitiu o líder do SD, Jimmie Akesson.
Mas isso não o impediria de se aliar a um governo de Kristersson, caso a esquerda não consiga chegar a um acordo para formar o Executivo.
F.Pathak--MT