Madras Times - Aclamado em Ceuta, Felipe VI reivindica soberania da Espanha perante o Marrocos

Aclamado em Ceuta, Felipe VI reivindica soberania da Espanha perante o Marrocos
Aclamado em Ceuta, Felipe VI reivindica soberania da Espanha perante o Marrocos / foto: Antonio Sempere - AFP

Aclamado em Ceuta, Felipe VI reivindica soberania da Espanha perante o Marrocos

O rei Felipe VI reafirmou, nesta terça-feira (13), a soberania espanhola sobre Ceuta durante uma visita histórica ao enclave no norte da África, reivindicado pelo Marrocos, onde foi aclamado por uma multidão, mais de dois meses depois de uma crise migratória que tensionou as relações entre Madri e Rabat.

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Ceuta e Melilla, o outro território espanhol no norte da África, "são uma parte irrenunciável" da Espanha e "a soberania e a integridade territorial do nosso país não são negociáveis", ressaltou o monarca em um discurso durante essa visita de alta tensão diplomática.

A Espanha "tem a vontade e a responsabilidade de manter uma boa relação" com Rabat, o que exige "boa-fé" de ambas as partes, sublinhou o chefe de Estado espanhol, que, junto com a rainha Letizia, realiza sua primeira viagem a Ceuta desde que subiu ao trono, em 2014.

Em todos os lugares por onde passaram, os reis foram recebidos por uma multidão entusiasmada que os saudava com frases como "Viva a Espanha" e "Viva o rei", enquanto agitava bandeiras espanholas e de Ceuta.

"Não vamos deixar vocês sozinhos, nem indefesos", garantiu o rei em seu discurso.

"Esperávamos há muito tempo por esta visita", que "significa muito porque é um apoio para que o vizinho ao lado, o Marrocos, não esteja sempre com essa intenção de dizer que Ceuta e Melilla são do Marrocos", afirmou à AFP Toñi Jiménez, auxiliar de enfermagem de 56 anos.

A presença dos reis ressalta "que Ceuta é espanhola e que somos espanhóis", afirmou Karima Mohamed, balconista de 33 anos, cujos dois filhos estudam em uma escola visitada pelos reis, em uma zona de alta concentração de muçulmanos nesta cidade onde convivem historicamente católicos, muçulmanos, judeus e hindus.

- Homenagem aos migrantes falecidos -

Os reis, que passarão a noite em Ceuta, partirão na quarta-feira para Melilla. Sua visita ocorre a poucas semanas das eleições antecipadas na Espanha, em 29 de novembro, que terão a a migração como um dos temas mais quentes da campanha.

O último rei espanhol que visitou esses enclaves foi Juan Carlos I, pai do atual monarca, em novembro de 2007. Aquela viagem resultou em uma crise diplomática com Rabat.

Dias antes da visita atual, o rei do Marrocos, Mohamed VI, rejeitou qualquer "pressão" ou "chantagem" sobre a cooperação com a Espanha e denunciou a "instrumentalização" da crise migratória.

À tarde, os reis prestaram homenagem, no cemitério muçulmano de Sidi Embarek, a mais de uma centena de pessoas que morreram durante a entrada maciça de migrantes marroquinos em Ceuta, no fim de julho. Os reis fizeram alguns momentos de silêncio e o monarca levou a mão ao peito, constatou uma jornalista da AFP.

Pela manhã, os reis passaram longos minutos trocando apertos de mãos e deixando que as pessoas que lotavam as ruas ao redor da Prefeitura de Ceuta tirassem fotos com eles.

"Foi um prazer e um orgulho apertar a mão dele, e dissemos todos: 'Não se esqueça de nós', e ele disse: 'Não, não nos esquecemos'”, relatou Cristina Carrasco, funcionária pública de 50 anos.

- "Em xeque" -

Ceuta, com pouco mais de 80.000 habitantes, tenta recuperar a normalidade após o abalo provocado pela chegada de mais de 70.000 migrantes procedentes do Marrocos no fim de julho.

Na segunda-feira, foi anunciado que navios de guerra marroquinos entraram em águas de Ceuta durante a invasão de migrantes, fato qualificado, nesta terça, pela porta-voz do governo espanhol como "um episódio pontual que foi resolvido com a mais absoluta normalidade entre dois países, no marco de suas relações de boa vizinhança".

"Muito obrigado por virem semear confiança onde a confiança é mais necessária", declarou aos reis o presidente de Ceuta, Juan Jesús Vivas, do conservador Partido Popular, principal força de oposição ao governo socialista de Pedro Sánchez. Vivas afirmou que o território atravessa o momento "mais difícil de [sua] história recente", com sua soberania "em xeque".

As autoridades disponibilizaram no enclave mais de 7.000 vagas de acolhimento temporário para migrantes adultos e outras 2.800 para menores, o que permitiu evacuar, antes da visita real, os grandes assentamentos que ocupavam algumas praias da cidade. Mas ainda há quem viva ao relento ou nos morros.

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R.Deshmukh--MT