Madras Times - Houthis atacam sede presidencial no Iêmen e aumentam tensão entre Arábia Saudita e Irã

Houthis atacam sede presidencial no Iêmen e aumentam tensão entre Arábia Saudita e Irã
Houthis atacam sede presidencial no Iêmen e aumentam tensão entre Arábia Saudita e Irã / foto: Sofiane Alsaar - AFP

Houthis atacam sede presidencial no Iêmen e aumentam tensão entre Arábia Saudita e Irã

Os houthis do Iêmen, apoiados pelo Irã, lançaram nesta quinta-feira (15) um ataque letal com mísseis contra o palácio presidencial na capital provisória do governo iemenita, enquanto Riade acusou Teerã de incentivar uma nova escalada do conflito.

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A guerra civil no Iêmen, na qual a Arábia Saudita lidera desde 2015 uma coalizão de apoio ao governo, ganhou novo impulso em julho, após o fim de uma trégua de vários anos, e se tornou a frente mais recente do conflito no Oriente Médio.

Nas últimas semanas, os houthis tomaram vastas áreas do Iêmen na costa do Mar Vermelho, sem que uma contraofensiva governamental com apoio aéreo saudita tenha conseguido reverter esse avanço.

A ofensiva houthi de hoje atingiu o complexo do palácio presidencial em Áden, onde o governo iemenita está sediado desde 2015, anunciou o ministro da Informação, segundo o qual nenhum integrante do governo foi atingido. Fontes governamentais informaram que o ataque deixou quatro mortos e mais de dez feridos.

A ofensiva atingiu centros de comando localizados dentro do complexo e usados por forças do governo e da coalizão, declarou o ministro, segundo o qual entre as vítimas havia iemenitas e sauditas.

Expulso da capital do país pelos houthis em 2014, o governo "continua cumprindo suas funções", ressaltou o premier iemenita, Shaya Zindani, em suas redes sociais.

Segundo as forças governamentais do Iêmen, os houthis também lançaram mísseis balísticos contra a cidade de Marib, controlada pelo governo, localizada em uma região petroleira no centro do país. Já a coalizão dirigida por Riade anunciou a interceptação de drones houthis que miravam em uma cidade do sul.

- Escalada -

Alvo desde o começo do mês de ataques houthis quase diários e de magnitude inédita, a Arábia Saudita apontou a responsabilidade da república islâmica.

"Acreditamos que a escalada iniciada pelos houthis é incentivada pelo Irã", declarou hoje o vice-ministro saudita encarregado da diplomacia, Rayed Krimly. Teerã continua "armando, treinando e apoiando os houthis, violando as resoluções do Conselho de Segurança da ONU", afirmou.

Sob mediação da China, as duas potências regionais rivais fecharam em 2023 um acordo para descongelar suas relações. Embora o reino mantenha "contato direto" com o Irã, não se comunica há semanas com os houthis, que rejeitaram um encontro proposto em Omã, destacou Krimly.

O porta-voz da coalizão, Turki al-Malki, pediu que os combatentes pró-Irã encerrem "todas as operações terroristas contra civis e instalações civis". Também mencionou o papel de "atores regionais" que permitiram aos houthis obter "mísseis balísticos, drones de ataque e drones suicidas, assim como lanchas rápidas carregadas com explosivos".

Após um ataque deixar 13 mortos no aeroporto de Riade no último sábado, a capital saudita voltou ontem a ser sacudida por explosões. Hoje, o aeroporto de Riade permaneceu fechado e a coalizão afirmou ter interceptado um míssil na região de Medina, cidade sagrada do islã. À noite, informou ter interceptado outro no leste do país.

Os houthis insistem que evitarão ataques contra as cidades sagradas de Meca e Medina e negam estar por trás de bombardeios naquela região.

Nesse contexto de tensão, os Estados-membros da UE anunciaram o adiamento de uma cúpula prevista para 24 de outubro em Riade com os países do Golfo. Outros eventos, incluindo três jogos de futebol programados para esta semana, também foram adiados.

Apesar dos ataques aéreos sauditas, as forças governamentais do Iêmen enfrentam dificuldade para recuperar os territórios conquistados pelos combatentes pró-Irã, que, entre outras coisas, reforçaram o controle sobre Taiz, a terceira maior cidade do país.

O Programa Mundial de Alimentos alertou ontem que os combates impediram a organização de atender cerca de 800.000 pessoas. "Os hospitais e centros de saúde estão lotados", alertou, por sua vez, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha, mencionando um aumento "sem precedentes" no número de feridos de guerra.

O Conselho de Segurança da ONU condenou hoje "a intensificação" dos ataques houthis contra a Arábia Saudita, incluindo o que chamou de "bombardeios irresponsáveis" contra o aeroporto internacional de Riade, e reafirmou o "direito inerente" das autoridades sauditas de se defender.

Em declaração conjunta divulgada pela presidência grega, os 15 membros do Conselho "condenaram com a máxima firmeza a continuidade e a intensificação dos ataques dos houthis contra o reino saudita". Também repudiaram "a continuidade dos ataques e ameaças dos houthis contra a navegação comercial no Mar Vermelho e no Estreito de Bab el-Mandeb".

Assim como no mês passado, o Conselho reafirmou "o direito inerente do reino da Arábia Saudita à legítima defesa, em conformidade com o direito internacional".

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O.Naidu--MT