Madras Times - Lula e Flávio Bolsonaro vão às ruas em encerramento de campanha

Lula e Flávio Bolsonaro vão às ruas em encerramento de campanha
Lula e Flávio Bolsonaro vão às ruas em encerramento de campanha / foto: Evaristo Sa, Gledston Tavares - AFP

Lula e Flávio Bolsonaro vão às ruas em encerramento de campanha

Após o último debate, a batalha final será nas ruas: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador conservador Flávio Bolsonaro (PL) encerram, neste sábado (24), a campanha presidencial antes do segundo turno.

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A 24 horas do início da votação que decidirá o rumo do país, o presidente de esquerda e seu adversário medem forças com marchas multitudinárias e atos simbólicos.

Flávio Bolsonaro, filho do ex-mandatário de extrema direita Jair Bolsonaro (2019-2022), saiu em vantagem no primeiro turno com 47% dos votos.

Lula, que obteve 45%, busca uma virada, concentrando esforços nas ruas e nas redes sociais.

O presidente, que completará 81 anos na próxima semana, estará pela primeira vez durante a campanha na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, antes de se lançar em um ato multitudinário na Avenida Paulista, em São Paulo.

Por sua vez, o senador, de 45 anos, marchará em Belo Horizonte e depois visitará a casa no Rio de Janeiro em que seu pai se recuperou após ter sido esfaqueado na campanha de 2018, quando foi eleito presidente.

Uma pesquisa do instituto Datafolha, divulgada na quinta-feira, apontou um empate, com 50% de intenção de voto para cada um dos candidatos, após Flávio Bolsonaro ter sido o favorito nas últimas semanas.

- "O menos pior" -

No último debate da campanha, na sexta-feira, ambos os candidatos adotaram um tom mais moderado, depois de um primeiro enfrentamento no qual os insultos se sobrepuseram e faltaram propostas.

Lula atacou a falta de experiência de seu adversário, enquanto Flávio Bolsonaro o apresentou como um candidato do passado.

O presidente disse que "esse rapaz (...) não conhece o Brasil" nem sabe "o que é a fome".

Por sua vez, Flávio Bolsonaro acusou o ex-sindicalista de deixar um "país quebrado", com "ideias que não funcionam mais", e o questionou: "Por que as coisas estão tão caras?".

O candidato do PL promete seguir o caminho traçado por seu pai, condenado a 27 anos de prisão por tentar um golpe de Estado contra Lula: mão pesada contra o crime, livre mercado e maior proximidade com os Estados Unidos.

Em seus discursos, ele captura o mal-estar dos brasileiros com o aumento do custo de vida e a insegurança.

"Eu acho que precisa de uma mudança (...) Hoje você vai no mercado, o seu dinheiro não vale de nada", disse à AFP Igor de Assis Coutinho, um cozinheiro de 42 anos, em São Paulo.

A campanha mostrou uma sociedade polarizada em meio ao confronto entre a esquerda de Lula, que busca seu quarto mandato, e a família Bolsonaro.

"Se houvesse qualquer outro candidato, melhor seria essa opção. Só que [estamos] entre o pior, o horrível e o menos pior", afirmou Gabriela Ribeiro Viana, uma organizadora de eventos de 29 anos que votará em Lula.

- Direita ou esquerda? -

A América Latina acompanha atentamente a eleição no Brasil. Vários países da região deram uma guinada à direita desde o retorno de Donald Trump à Casa Branca, em 2025.

Lula acusa os Estados Unidos e a Meta de tentarem interferir nas eleições, em meio a uma disputa judicial por supostas ações ilegais das campanhas nas redes sociais.

Quando as pesquisas o desfavoreciam, o presidente falou pelo celular aos seus eleitores e aumentou a ajuda social aos mais pobres.

"O único presidente que tem estado do lado da população pobre é Lula", disse Damião da Silva, que trabalha com serviços de limpeza em um condomínio.

"Rico quer saber de pobre se o pobre tem feijão para comer, se tem arroz, se tem um pedaço de frango pra comer?", questionou.

P.Ghosh--MT