Madras Times - Manifestação de universitários termina em confronto com a polícia na Argentina

Manifestação de universitários termina em confronto com a polícia na Argentina
Manifestação de universitários termina em confronto com a polícia na Argentina / foto: Emiliano Lasalvia - AFP

Manifestação de universitários termina em confronto com a polícia na Argentina

Policiais e manifestantes entraram em confronto em Buenos Aires nesta quinta-feira (15), durante uma passeata que exigia que o governo de Javier Milei cumpra uma lei que atualiza o financiamento das universidades públicas.

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Os incidentes, que ocorreram no entorno do Congresso, envolveram dezenas de pessoas, que lançaram pedras e pedaços de mobiliário urbano, enquanto policiais disparavam jatos d'água e gás lacrimogêneo.

Em meio ao cheiro e à fumaça dos gases, a cerca de 150 metros dali, ocorria simultaneamente o ato central do protesto que convocou milhares de estudantes, docentes e funcionários de universidades.

Os confrontos continuaram após o término do evento. No fim da tarde, policiais em motocicletas e a infantaria liberavam a área. Vinte e cinco pessoas foram detidas e oito agentes das diferentes forças designadas para a operação ficaram feridos, informaram à AFP fontes do Ministério da Segurança Nacional.

"Os mesmos violentos de sempre. Querem impor o caos, desafiar as forças de segurança e transformar as ruas em uma zona sem lei", escreveu no X a ministra da Segurança, Alejandra Monteoliva.

- Passeata -

A manifestação ocorreu após numerosas jornadas de greve, protestos dentro das universidades e decisões judiciais que obrigam o Executivo a cumprir a chamada Lei de Financiamento Universitário.

A norma prevê a atualização dos salários dos professores pela inflação desde dezembro de 2023, a recomposição das bolsas estudantis e dos recursos para o funcionamento das universidades.

Os recursos destinados às universidades registraram uma queda de 40,5% em termos reais na comparação entre o primeiro semestre deste ano e o de 2023, segundo um estudo do Centro de Pesquisa de Economia Nacional da Universidade de Buenos Aires.

Com bandeiras de centros estudantis e sindicatos de professores, os manifestantes exibiam mensagens como "Milei, cumpra a lei" e "A universidade pública é um direito, não um privilégio".

Relatórios do setor estimam que 10.000 docentes e pesquisadores pediram demissão desde o início do governo Milei. "Vão embora porque o salário não é suficiente", comentou Victoria Coronel, estudante de Serviço Social na Universidade de La Matanza. Ela ressaltou que os cortes também são perceptíveis na manutenção da universidade: "Algumas coisas quebram e demoram a ser consertadas."

- Conflito prolongado -

A Lei de Financiamento Universitário, sancionada pelo Congresso em agosto de 2025, foi vetada por Milei e posteriormente ratificada pelo Parlamento em outubro do ano passado. No entanto, o Executivo nunca a aplicou. Desde então, diferentes decisões judiciais, incluindo uma sentença da Suprema Corte em junho, obrigam o governo a cumprir os pagamentos.

O porta-voz presidencial, Adrián Ravier, disse na última terça-feira que "não é verdade que essa lei não esteja sendo cumprida", mas ressaltou que a norma "está suspensa" enquanto o governo define seus próximos passos em relação ao assunto. O Executivo também argumenta que a legislação não especifica com que fundos financiá-la.

Essa foi a quinta passeata universitária nacional desde o início do mandato de Milei, em dezembro de 2023. As instituições públicas de ensino superior estão entre os principais afetados pelas políticas de ajuste fiscal do presidente argentino, que concedeu aumentos nas verbas considerados insuficientes pelas universidades.

A passeata contou com o apoio de partidos políticos de oposição, sindicatos, organizações sociais e aposentados.

O.Naidu--MT