Custo de vida preocupa americanos antes das eleições de meio de mandato
Três anos depois de se aposentar, a americana Denise Barber planeja voltar ao mercado de trabalho com um emprego em meio período que lhe permita dar conta dos altos preços da gasolina e das necessidades de atenção médica de sua família em Ohio.
Aos 68 anos, ela faz parte dos americanos assolados pelo custo de vida, um tema que os democratas esperam que possa ajudá-los a vencer as eleições de meio de mandato em novembro.
"Espero que alguém possa desfazer algumas coisas que este presidente causou, como esta guerra com o Irã", disse Barber à AFP.
Esta ex-sindicalista democrata foi uma das dezenas de pessoas no Vale de Mahoning, conhecido por seu passado industrial, que participaram de um evento comunitário. Ali, expressaram sua preocupação com o fechamento dos hospitais, os cortes nos programas de saúde e o aumento do custo de vida.
Espera-se que muitos distritos de Ohio sigam sendo republicanos. Mas este estado, onde o presidente Donald Trump venceu em 2024, virou um campo de batalha.
Os democratas têm chances na Câmara de Representantes e seu ex-senador, Sherrod Brown, pode desbancar o republicano Jon Husted, que ocupou a vaga deixada pelo vice-presidente JD Vance.
A incógnita é se a frustração com o aumento dos preços da gasolina, dos alimentos e dos serviços públicos, aprofundada por outras preocupações, como os problemas com a atenção à saúde, se refletirá nas urnas.
Barber explica que mora em uma área com pouco acesso aos serviços de saúde e evoca como os gastos se acumularam quando, há pouco tempo, seu marido sofreu um pequeno acidente cardiovascular e ela precisou levá-lo a várias consultas médicas.
"O preço da gasolina para ir até lá é excessivo", queixou-se Barber, que trabalhou por 22 anos na indústria do aço antes de se tornar contadora.
"Vou precisar procurar um trabalho para cobrir" os gastos extras, diz agora esta aposentada.
Ela não é a única eleitora preocupada com os preços.
Segundo uma pesquisa do instituto Pew, publicada em junho, 29% dos americanos mencionaram espontaneamente preocupações econômicas quando perguntados quais problemas queriam que os candidatos ao Congresso abordassem.
A guerra com o Irã intensificou as tensões, como um bloqueio no Estreito de Ormuz, que fez os preços da energia dispararem.
O preço médio da gasolina comum subiu mais de 45% desde o começo da guerra, para 4,37 dólares (R$ 21,8) o galão, segundo dados do clube automobilístico AAA.
- "Perigo real" -
Embora o Vale de Mahoning "tenha se tornado muito republicano", o pesquisador do Instituto Hudson Paul Sracic considera que o partido enfrenta "um perigo real" na disputa pelo Senado.
"O partido no poder sempre tem maus resultados nas eleições de meio de mandato", disse à AFP. "De qualquer forma, já seria uma disputa difícil".
Mas, "temos os preços da gasolina em alta" e estes "são o melhor indicador de como as pessoas se sentem em relação à economia", acrescentou.
Os preços dos alimentos nos Estados Unidos em agosto eram 2,2% mais altos que há um ano, o que indica um aumento cumulativo dos custos para as famílias.
Os democratas estão fazendo campanha aproveitando estas pressões.
"Os eleitores da classe trabalhadora não queriam esta guerra", disse Brown a jornalistas à margem de um ato recente em Warren, Ohio.
Os eleitores "não queriam ver uma explosão nos preços de tudo", acrescentou. "Vou conquistar seu apoio".
- "Demissões" -
"O custo de vida está afetando todos os trabalhadores, não só nesta região, mas em todo o país", disse David Green, líder do sindicato United Auto Workers (UAW) em Ohio.
"Os trabalhadores estão sendo esmagados neste momento", comentou Green, ao ressaltar que há demissões e fechamentos de fábricas.
Embora a região em torno de Youngstown tenha sido predominantemente democrata no passado, tornou-se republicana em 2016 devido às promessas eleitorais de Trump.
"Houve muitas promessas não cumpridas", criticou Green, entre elas que "teríamos novamente todos esses postos de trabalho".
Alguns moradores dizem que ainda esperam o ressurgimento da indústria manufatureira que Trump prometeu.
F.Pathak--MT